Quarta-feira, 3 de junho de 2026Overview Editorial
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Opinião · Coluna

Liderar é construir pessoas

O que aprendi com minhas filhas sobre gestão

Talita Salles
Talita Salles
Co-founder & Chief Growth Officer
Liderar é construir pessoas
Síntese do artigo:
Maternidade e carreira caminham juntas

A maternidade e a liderança não são caminhos opostos, mas experiências que se conectam e transformam a forma de atuar profissionalmente e pessoalmente.

Uma liderança mais humana nasce da maternidade

Após a maternidade, a liderança ganha novas características, como mais empatia, escuta ativa, paciência e um olhar mais humano para o desenvolvimento das pessoas.

Equilíbrio não é perfeição, é presença

Conciliar carreira e família exige escolhas conscientes, adaptação constante e compreensão de que equilíbrio perfeito não existe — o mais importante é estar presente em cada papel vivido.

Integrar papéis fortalece a liderança

Ser mãe e líder não significa dar conta de tudo o tempo todo, mas integrar essas duas dimensões para construir uma liderança mais sensível, consciente e autêntica.

Maternidade e liderança ainda são tratadas, muitas vezes, como caminhos paralelos — quando, na prática, se entrelaçam de forma profunda e transformadora. Ao longo da minha trajetória, nunca enxerguei a carreira e o desejo de ser mãe como escolhas excludentes. Pelo contrário: sempre soube que ambos fariam parte da construção da minha vida, ainda que isso exigisse ajustes, renúncias e, principalmente, consciência em cada decisão.

A maternidade não chega como um capítulo isolado — ela reorganiza prioridades, amplia perspectivas e, inevitavelmente, impacta a forma como nos posicionamos no mundo profissional. No meu caso, isso significou rever rotinas, redirecionar caminhos e buscar um modelo de trabalho que me permitisse estar presente, sem abrir mão da liderança. Não se trata de equilíbrio perfeito, mas de presença real em cada papel exercido.

Na prática, liderar depois da maternidade ganha novas camadas. A escuta se torna mais atenta, a empatia mais genuína e a paciência deixa de ser apenas uma habilidade desejável para se tornar essencial. Conviver com filhos ensina, diariamente, que cada pessoa tem seu tempo, sua forma de compreender e reagir. Esse aprendizado, quando levado para o ambiente corporativo, transforma a liderança em algo mais humano, próximo e, ao mesmo tempo, mais eficiente.

Outro ponto inevitável nessa jornada é a culpa. Ela aparece em momentos silenciosos, nas decisões mais simples e nas mais complexas. A sensação de não estar integralmente em um único lugar pode ser constante. Com o tempo, no entanto, é possível ressignificar esse sentimento. Entender que estar inteira no momento presente — seja no trabalho, seja com a família — é o que, de fato, sustenta essa construção.

Conciliar maternidade e carreira também exige escolhas conscientes. Nem sempre haverá espaço para tudo ao mesmo tempo, e reconhecer isso não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Há fases em que a carreira pede mais. Em outras, a família demanda prioridade. Saber identificar esses momentos e ajustar a energia é parte fundamental desse processo.

A maternidade transforma profundamente a forma de cuidar das pessoas no ambiente profissional. O olhar sobre a equipe muda. Passa a existir uma preocupação mais genuína com desenvolvimento, bem-estar e crescimento. Liderar deixa de ser apenas sobre resultados e passa a ser, também, sobre construção de pessoas.

Ser mãe e líder não é sobre dar conta de tudo o tempo todo.

É sobre fazer escolhas com propósito, aceitar imperfeições e seguir ajustando o caminho conforme a vida acontece.

No fim, talvez a maior força dessa jornada esteja justamente na capacidade de integrar — e não separar — essas duas dimensões que, juntas, constroem uma liderança mais consciente, sensível e real.

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